[Após um tedioso evento social, de se lambusar todo pelo resto da madrugada com Ângela e de dormir até o meio-dia, o deputado vai no seu carro visitar suas filhas que moram com sua ex-mulher]
A vida é engraçada, aqueles micos de circo pensam que são mais importantes que eu. Tudo bem, dependo deles para conseguir me eleger, mas assim que ganho a eleição o jogo vira e eles vão comer na minha mão. [risos] E aquela mulher do Silveira, que monstro... [risos]. Não consigo acreditar como as pessoas conseguem se boicotar dessa forma, que penteado esdrúxulo, não sei como um cara chega em casa e consegue comer uma mulher daquela [risos]. Já ia me esquecendo preciso saber como ficou o esquema do ônibus para as crianças daquela escola e a incompetente da Rita que não me ligou mais para falar das quentinhas... aquela energúmena não nasceu para isso. Pensando bem, irei trocar de puta, a Ângela não me satisfez essa noite. Puta não pode ter cara de preocupada. Nossa mãe! Em falar em preocupação, tenho que comprar o presente da falecida. Ex-mulher é outra âncora que deveria ser instinta.
- Juvenal, o que você deu para sua esposa no último aniversário dela? - perguntou ao seu motorista, enquanto esse parava o carro em um semáforo.
[Se aproximam uns jovens ao redor do carro, antes de Juvenal responder, o deputado abre a janela]
- Ei garoto, quantos anos você tem? 17? Que maravilha! Vai votar esse ano? Votar garoto, sabe que é isso não? E você aí, tem quantos anos? Vai votar? Hummm... toma um trocado para vocês beberem um refrigerante...
[O semáforo abriu, o carro saiu, a janela foi fechada e Romário ficou olhando aquela nota de cem grampeada num santinho com a cara do deputado, enquanto seus colegas se esmurravam em sua volta]
2 comentários:
Caros leitores...
Romário se prepara para a epopéia de ser um desconhecido...
Os números dos desconhecidos:
Foram
19 posts com
17 desconhecidos em
12 dias da vida real para apenas
01 dia de ficção com mais de
500 visitas.
Viva a complexidade!
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