quarta-feira, 10 de junho de 2009

Lívia Pereira - Dorival Queiroz de Albuquerque


Mais tarde, Lívia atende a última ocorrência de seu expediente:

- SAMU 192, em que posso ajudar?
- Minha vida chegou ao fim, estou te ligando para falar o motivo da minha morte...
- Senhor, como se chama? Por favor fique calmo que eu irei ajudá-lo.
- Meu nome não interessa... eu não a matei... eu não a matei... ESCUTE SUA PUTA: EU NÃO A MATEI!
- Senhor, por favor vamos manter a calma para que eu possa ajudá-lo, como se chama e de onde o senhor fala?
- Eu estava... - começa a chorar.
- Senhor...
- PERAÍ SUA PUTA.... deixa eu falar, deixa eu falar...
- André temos uma ocorrência de possível suicídio - falou baixinho com a mão no microfone com seu colega de trabalho.
- Escute bem o que vou falar: quem matou Aline Charlenne Graal foi um detetive da polícia chamado Jorge José Jimenez, conhecido como Jota, ele tem um esquema de tráfico de drogas velado dentro da polícia e ela ficou sabendo e estava o investigando... acontece que ele descobriu e mandou executá-la... o corpo está nu guardado em uma geladeira do Departamento de Polícia... ele está armando para me acusar, colocou capangas para me seguir 24h por dia, eles perseguem meu sono, meus pesadelos, minha manhã... ele contratou um monstro de três cabeças que me atormenta, ele sai de qualquer copo d'água que eu toco através das minhas impressões digitais... e ainda tem as moscas com as câmeras escondidas... e... ainda aqueles que roubam minhas lembranças aos poucos...
- Senhor... - Lívia interrompe.
- CALA BOCA! CALA BOCA... deixa eu terminar, vocês precisam prender o Jota e sua gang... como é seu nome sua vaca?
- Meu nome é Lívia senhor e preciso que o senhor me respeite...
- Lívia? CLARO... VOCÊ É UM DELES... MALDITOS SEJAM VOCÊS TODOS!

Dorival desliga e sai correndo...