sábado, 13 de junho de 2009

Mário Cavalcanti - Silvia Cavalcanti


Embora mantivesse a postura habitual em seu trabalho, Mário voltou no camburão olhando pela janela a paisagem das ruas à noite, às luzes que iam e vinham. Seu parceiro até percebeu e perguntou se havia alguma coisa o preocupando, se havia sido o telefonema de Jota mais cedo, mas Mário se recompôs e disse que estava bem. O que lhe preocupava era sua filha de 15 anos, que já algum tempo não aceitava a morte da mãe e vinha demonstrando um comportamento rebelde e depressivo ao mesmo tempo. Pela manhã havia encontrado seu diário com um plano de suicídio, brigaram e nesse momento Mário lembrava da discussão:

"- Filha, você não me ama? - perguntava ele no auge dos seus 47 anos em prantos.
- Não é isso pai, não é isso pai... não... - uma menina de 15 anos maquiada ao extremo as 07:00 h da manhã.
- Então me explica isso... me explica que não consigo entender..."

- Mário, vamos entregar essa carne aí para o comando lá do Morro da Redenção?

Antes de Mário responder, seu telefone toca, era sua filha:

- Paizinho, desculpa, mas não dá mais... adeus... te amo muito viu? - Silvia com uma voz de um cético ancião.

Um comentário:

Solange Maia disse...

Ramon,

Muito interessantes seus textos.
fortes, reais e nos fazem pensar...
Gostei.

abraço,

Solange

http://eucaliptosnajanela.blogspot.com