quarta-feira, 10 de junho de 2009

Maurício Oliveira Santos - Juan García Avellaneda


Embora tivesse uma resposta que exigia de si uma posição, por ter sido cobrado de ausência no namoro, Maurício saiu mecanicamente, como se pergunta e resposta fossem um exercício de praxe. Aliás, há algum tempo que ele vivia em stand by. Trabalho, família, Renata, amigos, vizinhos e seus afazeres cotidianos eram cumpridos com uma certa risca, mas de forma automática e embotada. Ninguém percebia que Maurício cada vez mais estava sendo sugado para dentro de suas reflexões. E hoje pela manhã havia sido um dia decisivo nesse processo. Não foi trabalhar, quando ligaram acusou uma doença sem ao menos explicar qual e quando viu as ligações de Renata ficou atônito olhando o nome dela no visor do celular. Decidiu sair e caminhar na rua com um olhar em direção a um amanhã distante. No momento que encontrou Anabela, reagiu automaticamente, como se algum resquício de seu período transitório ainda insistisse em se manifestar, mas tão logo que obteve uma resposta voltou ao seu presente estado de estupor e embotamento afetivo. Continuou caminhando por toda tarde, a essa altura já havia esquecido o celular em cima de um banco na praça (o que lhe impediu de saber das 11 ligações de Renata, 3 da mãe, 5 dos seus 3 irmãos, 2 do colega de trabalho e mais algumas dos diversos estabelecimentos onde divídas se acumulavam, pois há algum tempo não pagava suas contas). No entardecer, seguia chutando um lata pela rua, na verdade estava mais sendo arrastado pela lata que seguia a frente, com uma atenção distraída, que andava propriamente. Quando de repente deixou seu corpo cair... logo uma multidão se formou no centro da cidade.

- Apartense, yo soy médico! - Interviu um homem de cabelos grisalhos, com um portuñol rasgado.

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