domingo, 2 de maio de 2010

Judith P. Alves - Marcela Araújo

Judith chegou ao galpão com uma sensação mista de alegria e tristeza. Tudo ... em uma semana estava a par de todo o esquema de propina de Jota e o acobertamento do tráfico de drogas do deputado... “E o que acontece agora?” – Ela se perguntava internamente... Jota sempre foi o referencial da polícia da cidade... como fazer...

- Vocês cercam o galpão com as cinco viaturas! – Falou imperiosamente para o grupo de Otávio.

Entrou no galpão pela parte que dava acesso as passarelas pelo alto, levou consigo apenas dois colegas que confiava cegamente: Marcos e o Paulo.
Subiram devagar agachados... era isso... a mente agora a perturbava... uma comoção abatia seu corpo... iria prender o colega que antes a inspirava... olhou novamente para baixo... viu três corpos... Jota já agira... o galpão era grande e em outra saleta viu Jota apontando uma arma para um senhor com roupa toda azul... Agora lágrimas saiam levemente de seu rosto e a mão tremia... tinha ordenado para que os outros dois que a acompanhavam só agissem estritamente quando mandados... era a hora... as lágrimas desciam mais forte e a voz saiu trêmula:

- Parados é a Polícia! Vocês estão presos! – Soluços e tremores acompanharam a imponência de Judith.

Ao virar a face, a policial percebeu o transtorno que Jota passava... o seu rosto desfigurava... ela sentiu a dor duplamente... por ele e por ser ele...

- Judith! O que faz aqui? Já terminei tudo! Saia daqui! – A voz ecoava raiva e era quase irreconhecível.

- Você está preso...- gaguejou – Jota! Abaixe a arma ...Por favor. – Esta última frase saiu suplicante.

Jota respirou fundo... Judith já não conseguia mais pensar... era esse homem que a modelava... ele era o padrão... ele que ela tinha que vencer... tudo era poeira agora... ficou tonta... o celular em seu bolso vibrou indicando uma mensagem... Jota apertou o gatilho contra o senhor embaixo... uma lágrima a mais caiu do rosto de Judith... Sentiu o peito doer... colocou a mão no chão ...seis tiros foram disparados... nenhum partira dela... e a dor a consumindo...

- Aguenta! – Escutou Marcos ...

Pegou o celular era a sobrinha que havia mandado uma mensagem... sorriu... e foi seu último riso....

2 comentários:

Ramon Alcântara disse...

okay. aos poucos, os desconhecidos re-surgem, desconfiados, de soslaio, saindo dos becos, dos buracos, das barricadas...

Ramon Alcântara disse...

COMUNICADO: Estamos em fase de transição, em breve Os desconhecidos de cara nova para a segunda temporada.

Grato