“Tanto medo, tanta dor, pouco a se fazer quando não se pode falar. Minha vida tá na metade, a história só se dá pela escrita... Sou um pedaço de nada atraente... dois anos sendo atração do circo midiático. Estou novamente no hospital, o médico disse que essa seqüência de cirurgia diminuiria as dores nas costas... Procuro um sentido pra isso tudo, como procuro lembrar daquele beijo estranho... Acredito que foi aquele beijo o Salvador... Acredito mais em Deus agora tanto quanto duvido... o silêncio que cresce cada vez mais, acelera o curso da dor pelo meu corpo, acelera essa falta de esperança e confiança que algum dia serei o que seria... apenas dói ...”
- Bom dia Maria! Vamos pro exame? – O sorriso amável acompanhava a enfermeira – Trouxe o livro que conversamos ontem pra você ler, ok?
Maria pegou o livro, olhou a capa toda linda, ela não era mais... Após o exame abriu o livro e percebeu que dentro havia um recado amarelado e bem antigo...